Português Italian English Spanish

Há 100 anos, Brasil se libertava da gripe espanhola que durou 2 anos e matou 50 milhões no Mundo.

Há 100 anos, Brasil se libertava da gripe espanhola que durou 2 anos e matou 50 milhões no Mundo.


Brasil teve 35.000 mortes em 2 anos da Gripe Espanhola, muito semelhante a Covid-19. A população do Brasil em 1920 era de aproximadamente 30 milhões e até um presidente eleito morreu da influenza (gripe espanhola) Rodrigues Alves não suportou a força do vírus e não conseguiu assumir como presidente. Após 6 meses de lutas contra a gripe, Rodrigues Alves viria a falecer em janeiro de 1919, no início do pico da pandemia da influenza.

 

 

A Gripe Espanhola, influenza que nos assusta até hoje, foi registrada pela primeira vez ainda no século 19, mas só tomaria grandes proporções durante a Primeira Guerra, atacando as tropas na Europa. De lá, se espalharia pelos cinco continentes, inclusive para o Brasil.

Os efeitos também resultaram em confinamentos e mortes. A doença chegou através dos navios provenientes da Europa. Logo, grande parte da população foi infectada e o país teve que adotar medidas parecidas com as tomadas nos dias atuais.

Havia quem pregasse o isolamento social e o uso obrigatório de máscaras. Por outro lado, negacionismo. Seria só uma “gripezinha”. Já ouviu esse embate em 2020, não é? Toda semelhança não é mera coincidência. Há 102 anos, o Brasil e o mundo enfrentavam o vírus Influenza ou, como ficou conhecido, “gripe espanhola” que, segundo estimativas, teria sido causadora da  contaminação de 500 milhões de pessoas e da morte de 50 milhões em todo o mundo.  No Brasil, foram, segundo os registros (possíveis da época), cerca de 35 mil mortes. Na pandemia do século 21, as mortes também são causadas por um vírus e o número de vítimas também supera a casa dos milhões. Segundo historiadores, há características muito semelhantes entre os dois períodos, mesmo que o Brasil tenha se transformado tanto.

É possível comparar os momentos políticos e sociais que estamos vivendo com o de mais de 100 anos atrás. De acordo com ele, a falta de informações, os problemas no serviço de saúde e a insalubridade se repetem da mesma forma e, inclusive, se tornaram catalisadores para ambas as doenças. Existem momentos semelhantes, primeiro a descrença e desinformação popular, a circulação de boatos de curas milagrosas, que a doença foi enviada por alguma entidade. Então nós tínhamos muita desinformação, não se acreditava no poder dessa doença, uma deficiência no atendimento de saúde, o que mostra a desigualdade social, já que, mesmo que o vírus não escolha entre ricos e pobres, a questão da insalubridade se torna um agravante para a mortalidade.

A demora para tomar providências e a negação ao potencial do vírus da sociedade e de Venceslau Brás, presidente em exercício entre 1914 e 1918, causou muitas mortes, inclusive do próximo presidente eleito, Rodrigues Alves. No primeiro momento, houve muita negação. Que o vírus vai passar, o que podemos ver no atual momento, a ideia de que é uma gripe passageira, que vai contaminar todo mundo e não vai trazer maiores impactos, que só vai atingir idosos e que isolar apenas os idosos já é suficiente para controlar o avanço do vírus. Então essa negação do presidente Venceslau Brás, acabou sendo muito nociva para o combate da pandemia, prejudicando ações posteriores e ceifando muitas vidas, vidas inclusive do presidente Rodrigues Alves, que foi eleito, mas acabou vindo a óbito antes de tomar posse.

 

 

Outro agravante para as mortes no Brasil foi como a saúde estava sendo tratada na época pelo Estado e sociedade, que tentavam colocar em prática o sonho da república e cidades perfeitas. “A questão da saúde já vinha sendo tratada desde o início do século 20 pelo Estado brasileiro, mas, sobretudo, como forma de tornar as cidades mais parecidas com o ideal de racionalidade do positivismo da República. Assim, a tendência geral era compreender que haviam “doenças sociais” que deveriam ser combatidas ou controladas, como a prostituição e a loucura, e que haviam doenças cujos fatores biológicos humanos favoreciam a sua proliferação. Estou falando da compreensão de muitos médicos, de que fatores étnicos influenciavam na proliferação de algumas doenças, e que portanto, a grande parte da população brasileira, formada por miscigenados, era suscetível a muitas doenças porque eram inferiorHouve o fechamento do Senado e Câmara do Rio de Janeiro -capital do país- por falta de funcionários para realizar as atividades burocráticas, já que, muitos estavam doentes ou faleceram.
-Aprovação automática de estudantes, sem a necessidade de provas finais.
-Eleições ao Senado ocorridas apenas na cidade do Rio de Janeiro, em novembro de 1918. A capital tinha, na época, 36 mil eleitores registrados, mas apenas 5 mil compareceram às urnas.
-Proibição de aglomerações públicas, como teatros e cinemas que, além de fechados, passaram por lavagens com desinfetante.
-Pela primeira vez é proibido que se visite os cemitérios no Dia dos Finados -não só para evitar multidões, mas também para evitar que as pessoas vissem o número de corpos esperando para serem enterrados.
-Houve a criação de uma tabela de preços de remédios e misturas que ganharam fama de milagrosos, tanto para a cura quanto para a prevenção da doença. Porém, sem haver a fiscalização, os produtos continuaram a aumentar.es em relação aos brancos.

Com certo atraso de governadores e prefeitos, há a distribuição de remédios e alimentos, além do improviso de enfermarias em escolas, clubes e igrejas e convocação de médicos particulares e estudantes de medicina.
-Proposta de adiamento em 15 dias de prazo de dívidas que vencem durante a pandemia.

-Um dos remédios sugeridos para tratamento do Influenza foi o quinino, que servia para o tratamento da malária.
-Sem uma legislação trabalhista, diversos patrões deixaram de pagar os salários de seus funcionários infectados, agravando, assim, a situação, não só de miséria, mas também de contaminação, logo que esses trabalhadores se viram obrigados a voltar a trabalhar para voltar a receber .
-Grupos como a Maçonaria, operários e entidades médicas fizeram movimentos de arrecadação de alimentos, medicamentos e dinheiro para a sociedade que se encontrava doente e com fome.

Morte de presidente.

Além de perigosa, o vírus da Gripe Espanhola também não fazia distinção de pessoas e nem o recém eleito presidente Rodrigues Alves escapou da epidemia. Em março de 1918, Alves contraiu a doença antes mesmo de ser empossado. Consequentemente, seu vice, Delfim Neto, assumiu interinamente o país em novembro — ainda esperando a cura de Rodrigues.

Entretanto, ele jamais se recuperou e morreu em janeiro de 1919. Assim, uma nova eleição fora de época foi convocada. “Todas as classes, desde os humildes trabalhadores até aqueles que gozam do maior conforto na vida, foram alcançados pelo flagelo terrível, que bem parece universal”, declarou Lucena.

 

A caipirinha e as falsas curas

A angustia já era evidente nas pessoas, e esse desespero transpassava para os jornais, onde era anunciado inúmeros remédios milagrosos que se diziam capazes de combater e prevenir a Gripe Espanhola.

Entre eles, estavam a água tônica de quinino e balas à base de ervas de purgante. Como a procura desses produtos ficava maior, as farmácias aproveitaram o momento para aumentar descaradamente os preços dessas mercadorias — o que levou a prefeitura a obrigar o tabelamento dos valores desses remédios.

Já em São Paulo, circulava a notícia que uma mistura caseira de cachaça, mel e limão poderia tratar o vírus. Assim como aconteceu no estado vizinho, a demanda pelo limão crescia e logo a fruta desapareceu das prateleiras. Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça, foi supostamente dessa receita doméstica que nasceu a tão aclamada caipirinha.