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JOÃO BATISTA, O SANTO QUE PREVIU A VINDA DE JESUS E O BATIZOU.

JOÃO BATISTA, O SANTO QUE PREVIU A VINDA DE JESUS E O BATIZOU.


Para os Católico, 24 de junho é dedicado a esse importante personagem Santo da história bíblica. Para os cristãos em geral, João Batista previu a vinda do Messias Jesus ao Mundo. João Batista foi o idealizador do Batismo e foi aquele que imergiu Jesus Cristo nas águas do Rio Jordão. Era um excelente orador e o próprio Jesus o ouvia muito em suas pregações.

 

De acordo com as escrituras, várias passagens do evangelho indicam João Batista como precursor do Messias, pois foi ele quem batizou o povo com água para arrependimento, a fim de preparar o caminho para a chegada de Jesus, que batizaria o povo com Espírito Santo e com Fogo.

Quem era João Batista?
Flavio Josefo foi um historiador do primeiro século da era cristã. É curioso saber que ele dedica mais comentários à atuação de João Batista do que à Jesus. Flavio Josefo menciona a originalidade do movimento de Joao Batista: Aparece no deserto e mesmo assim tem uma extraordinária convocatória. As pessoas vão para o deserto para escutá-lo. João inventa o batismo. A água sempre foi um elemento religioso importante para a purificação, mas antes de João ninguém havia submergido outra pessoa na água em nome de Deus. E por fim, Josefo menciona a novidade do discurso de João Batista, ao dizer que praticar a justiça entre as pessoas é mais importante do que fazer sacrifícios a Deus.

No primeiro século a religião judaica vivia um período de profundo letargo, dominada oficialmente por dois grupos dentro do judaísmo: os fariseus, que eram um partido religioso, e os saduceus, que eram um partido político-religioso.

A situação política opressiva que reinava no país, o cansaço moral pela espera de um Salvador que não chegava nunca, a vida escandalosa da classe governante (supostamente representante de Deus) e a degradação dos próprios sacerdotes do templo (mais preocupados com os seus próprios interesses, do que em animar a fé do povo), tudo isso havia esfriado a devoção das pessoas e desanimado a prática religiosa.

Nesse contexto, aparece João, o filho de um sacerdote do templo, chamado Zacarias. João e vivia no deserto, levava uma vida austera. Vestia-se com pele de camelo e um cinturão de couro, ao estilo dos velhos profetas,, e se alimentava de insetos e de mel silvestre (Mc 1.6). Sua voz se espalhou como um trovão no tranquilo deserto da Palestina. Com um discurso forte, João Batista enfatizou que ser religioso não significava rezar mais e nem correspondia a fazer mais sacrifícios no templo. Ser religioso para João Batista era ter mais compromisso com as pessoas, praticando a justiça e a misericórdia.

A sua pregação sobre o juízo de Deus se assemelhava a dos profetas do Antigo Testamento. A novidade de João era que esse juízo de Deus viria com castigo e era iminente. Em pouco tempo Deus mesmo iria castigar com fogo a todos que não se arrependessem de seus pecados (Mt.3.7-12). No entanto, havia uma possibilidade de escapar desse castigo de Deus, se a pessoas se arrependessem de seus pecados e se dispusesse a uma mudança de atitudes de vida em relação as outras pessoas.

As pessoas que o escutavam, ficavam magnetizados pelo seu discurso. Muitos vinham de longe em busca de seus conselhos. Aqueles que aceitavam seus ensinamentos e se dispuseram para essa mudança de vida, João lhes pedia que recebessem o sinal do batismo no rio (Mc 1.4-5). Esse batismo não se limitava a um ritual de purificação como no judaísmo. A novidade era que requeria um arrependimento e uma mudança ética da pessoa. Já não bastava com dizer “sou filho de Abraão”. O compromisso do batismo deveria “dar bons frutos” em relação a outras pessoas.

O êxito desse fervoroso pregador foi extraordinário. João não ia ao encontro das pessoas, mas as pessoas vinham ao encontro dele. Era muito difícil ficar indiferente. Muitos jovens que se haviam afastado da religião, voltaram a comprometer-se com Deus.

João não pedia nada para ele. Ele também não pregava uma mudança radical nas estruturas sociais e religiosas. O que ele pedia é que cada qual fizesse a sua parte praticando a justiça. A todas as pessoas que ele batizou, ele as enviou de volta a seus lugares, somente pedindo que a partir do batismo fossem justos e realizassem boas obras (Lc 3.8-14).

Mesmo assim, um pequeno grupo se formou ao seu redor. Esse grupo acompanhava seus ritos batismais (Jo. 1.28.35-37), ajudava nas pregações (Jo 3.23), recebia ensinamentos mais aprofundados (Jo 3.26-30) e compartilhava da espiritualidade ascética do jejum (Mc 2,18)e da oração (Lc 11,1).

Jesus vai ver e ouvir o profeta

Também o jovem Jesus foi atraído pela mensagem de renovação espiritual de João Batista e, por isso, viajou de Nazaré até o vale do rio Jordão para ver e ouvir o profeta. Jesus escutou sua mensagem escatológica que pode ser resumida em três pontos:

a) O mundo (a história) está sob a iminência do juízo de Deus.
b) o povo de Israel se afastou da vontade de Deus, e por isso, corre o risco de ser consumido pelo fogo do juízo de Deus
c) é necessário mudar de atitude – viver praticando a justiça e a misericórdia - e confirmar essa mudança com o batismo.

Alguns comentaristas afirmam que provavelmente este encontro com João Batista impressionou tanto ao nazareno, ao ponto de ter despertado nele sua vocação posterior. O batismo de Jesus fez com que ele abandonasse sua vida silenciosa, que até então ele levava em Nazaré. Antes de ser batizado por João Batista, Jesus era um desconhecido.

Jesus aceitou a mensagem de João, da mesma forma que muitos outros judeus, e foi batizado por João, como relatam os Evangelhos (Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21-22). Conforme os Evangelhos sinóticos, no momento do batismo, desceu sobre Jesus o Espírito Santo, proclamando publicamente que Jesus é o Filho de Deus. Depois disso, Jesus se retirou 40 dias para o deserto, como preparação para iniciar a sua missão de proclamar o Reino de Deus. João Batista vivia no deserto. Por isso, o texto parece sugerir que Jesus – por algum tempo - se integrou ao grupo de discípulos de João Batista.

No Evangelho de João (Joao 1.35-57) ouvimos de dois discípulos de João (André e um outro anônimo) que reconhecem a Jesus como um Mestre e começam a segui-lo. Surge assim um novo grupo. Mais tarde eles convidam também a Pedro e Natanael, para seguir ao novo Mestre. Desta forma, reforça-se a suspeita que todos eles pertenciam ao mesmo grupo de João Batista.

Mais adiante, também no Evangelho de João (3.22-4.3), lemos que Jesus e seus discípulos foram para a região da Judéia e ali chegaram a batizar as pessoas. João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque lá havia muita água. Alguns discípulos de João tiveram uma discussão com um judeu sobre e cerimônia da purificação. Então eles foram falar com João:
- Mestre, aquele homem que estava com o senhor no outro lado do rio Jordão está batizando as pessoas.

Parece que, depois do batismo, por algum tempo – Jesus foi discípulo de João. Os discípulos de João sabiam que Jesus havia sido batizado por João e que esteve por algum tempo entre o grupo de João. Agora os discípulos veêm que Jesus saiu do grupo de João, formou seu próprio grupo e começou a batizar por conta, reunindo seus próprios discípulos e fazendo uma espécie de competição, com quem antes foi seu mestre. Somente com essa tela de fundo pode-se entender os sentimentos de frustração e rivalidade do grupo de discípulos que ainda permaneciam com João. Mas Jesus não queria essa rivalidade, por isso continua o evangelho de João: “Quando Jesus ficou sabendo que – ele estava ganhando mais discípulos e batizava mais pessoas do que João, ele saiu da Judéia e voltou para a Galiléia (Jo 4.1-3).

Portanto, temos aqui três relatos que falam que no início da vida pública Jesus, ele também batizou, por algum tempo. E que essa prática havia sido adquirida por seu antigo formador, na época em que ele próprio – Jesus – fez parte do grupo de João.

Mas quanto tempo Jesus ficou no grupo de João Batista? Ao certo não sabemos. No entanto, não deve ter sido por muito tempo, considerando que a vida pública de Jesus durou somente 3 anos. Ao que parece, enquanto Jesus esteve no grupo de João Batista, ele descobriu a sua missão. Sentiu que o Pai o chamava para que anunciasse a presença do Reino de Deus. Assim, Jesus começou a desenvolver seu ministério de forma independente e com um conteúdo diferente.

 

 

No dia 24 de junho, a data de São João Batista é uma festa cristã celebrando o nascimento de João Batista, um profeta que previu o advento do Messias na pessoa de Jesus Cristo e o batizou. Esta festa é amplamente comemorada no mundo cristão no dia 24 de junho e é uma das festas juninas. É também o único santo cujo nascimento e martírio, este último em 29 de Agosto, são evocados em duas solenidades pelo povo cristão.

A noite de 23 de Junho, véspera do Dia de São João, marca o início da celebração da festa de São João Batista. O Evangelho de Lucas (Lucas 1:36, 56-57) afirma que João nasceu cerca de seis meses antes de Jesus; portanto, a festa de São João Batista foi fixada em 24 de junho, seis meses antes da véspera de Natal. Este dia de festa é um dos poucos dias santos que comemora o aniversário do nascimento, ao invés da morte, do santo homenageado.

A festa se originou na Idade Média na celebração dos chamados Santos Populares (Santo António, São Pedro e São João; ver Festa de São Pedro e São Paulo). Além de São João, comemorado no dia 24, os outros são São Pedro (no dia 29) e Santo António (no dia 13). Em Portugal, as festas dos três marcam o início das festas católicas em todo o país.

João Batista é o único santo, além da Virgem Maria, de que se celebra o nascimento tanto para a terra, quanto para o céu. Segundo os evangelhos, é o maior dos profetas (Lucas 7:26-28), porque pôde apresentar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29-36). Sua vocação reveste-se de acontecimentos extraordinários, repletos de júbilo messiânico, que preparam o nascimento de Jesus (Lucas 1:14-58).  

Significado Cristão.

 

Os cristãos há muito interpretam a vida de João Batista como uma preparação para o advento de Jesus e as circunstâncias de seu nascimento, relatados no Novo Testamento, são também milagrosos. O único relato bíblico sobre o nascimento do profeta está no Evangelho de Lucas. Os pais de João, Zacarias - um sacerdote judeu - e Isabel não tinham filhos e já haviam passado da idade de tê-los. Durante uma jornada de trabalho servindo no Templo de Jerusalém, ele foi escolhido por sorteio para oferecer incenso no Altar Dourado no Santo dos Santos.

O Arcanjo Gabriel apareceu para ele e anunciou que a esposa de Zacarias iria dar à luz uma criança e que ele deveria chamá-lo de João. Porém, por não ter acreditado na mensagem de Gabriel, Zacarias perdeu a voz. Com o nascimento de seu filho, seus parentes quiseram então dar-lhe o nome do pai e Zacarias, sem poder falar, escreveu: "Seu nome é João", tendo sua voz devolvida. A importância do nome advém do seu significado que é "Deus é propício". Depois de ter obedecido o comando de Deus, ele recebeu o dom da profecia e previu o futuro de João. O cântico que Zacarias profere em seguida, chamado Benedictus, é utilizado até hoje nos serviços litúrgicos de diversas denominações cristãs.

Na Anunciação, quando o Arcanjo Gabriel apareceu para a Virgem Maria para informá-la que ela iria conceber seu filho Jesus através do Espírito Santo, ele também a informou de que Isabel, sua prima, já estava grávida de seis meses. Maria então viajou para visitar Isabel. O Evangelho de Lucas relata que o bebê estremeceu no ventre de Isabel quando ela cumprimentou Maria.

Celebração.

A questão naturalmente surge sobre o motivo da celebração se realizar no dia 24 ao invés do dia seguinte, se o objetivo é cair precisamente seis meses antes do Natal. Já foi por vezes alegado que as autoridades da Igreja queriam cristianizar as celebrações pagãs do solstício e, por isto, colocaram a festa de São João como substituta. Esta explicação é questionável, pois durante a Idade Média o solstício acontecia no meio de junho por conta da não acuracidade do calendário juliano. Foi apenas em 1582, com a introdução do calendário gregoriano, que o solstício retornou ao dia 21 de junho como acontecia no século IV.

Portanto, uma explicação mais provável do motivo pelo qual a festa cai em 24 e junho está no modo de contagem romano, que procedia de trás para frente a partir das "calendas" (primeiro dia) do mês seguinte. O Natal era "o oitavo dia das calendas de janeiro" (Octavo Kalendas Januarii). Consequentemente, o nascimento de São João foi colocado no "oitavo dia antes das calendas de Julho". Porém, como junho tinha apenas 30 dias, a festa caiu finalmente no dia 24 de junho.

De qualquer forma, o significado da festa caindo por volta do solstício é considerado como significativo, relembrando as palavras do próprio João Batista sobre Jesus: «É necessário que ele cresça, e que eu diminua» (João 3:30).

Junto com a Festa de São Pedro e São Paulo e a Festa de Santo Antônio, a Festa de São João é celebrada por todos os países lusófonos como parte das festas juninas, onde o sincretismo do significado religioso e pré-cristão é mais evidente.