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Ministros do STF procuram "apaziguamento" com Bolsonaro: "Fomos todos surpreendidos!".

Ministros do STF procuram "apaziguamento" com Bolsonaro: "Fomos todos surpreendidos!".


É a hora de o Supremo consolidar suas posições, cavar trincheiras e ficar dentro delas esperando para ver o que acontece. Não é momento de avançar, fazendo um paralelo com a fase da 1ª Guerra Mundial que ficou conhecida como "guerra das trincheiras". "Nós, ministros fomos todos surpreendidos com Bolsonaro, é o momento de buscar apaziguamento e diálogo com o Presidente e com membros do Congresso. Quem imaginava isso acontecer?", revelou um ministro a jornalistas da FOLHA nesta segunda-feira.

 

Os ministros do STF desejam buscar o diálogo com o Presidente Bolsonaro. A análise construída por jornalistas do UOL/FOLHA7 nesta segunda-feira, 25 de abril, é que o tribunal sofreu o baque, mas deve defender suas posições com firmeza. Ao mesmo tempo, precisa reabrir com urgência o diálogo com o governo e com a base aliada de Bolsonaro no Congresso Nacional.

De acordo com magistrados ouvidos pela Folha de S.Paulo, o ato de Bolsonaro pegou o tribunal totalmente de surpresa –o que não ocorreria se a corte mantivesse canais de comunicação com o Palácio do Planalto.

"Quem imaginava isso?", diz um dos ministros do STF. "Fomos todos surpreendidos. É preciso dialogar mais e avaliar melhor o contexto político".

As falas do ministro Barroso contra as Forças Armadas também foi visto como incoerente e desnecessária por ministros ouvidos pela Folha.

Um segundo ministro afirma que a falta de diálogo com o governo Bolsonaro e com o Congresso Nacional, uma marca do atual presidente do STF, Luiz Fux, impediu que os magistrados percebessem o ânimo de Bolsonaro, de se contrapor à condenação até o limite de suas possibilidades. E fez com que o tribunal fosse pego completamente desprevenido quando ele decretou o indulto.

Um terceiro ministro compara a situação a uma guerra –com o STF claramente sob ameaça pelo mais recente bombardeio de Bolsonaro.

O momento, diz, não seria o de avançar em um contra-ataque. Mas, sim, o de recuperar fôlego.

"É a hora de o Supremo consolidar suas posições, cavar trincheiras e ficar dentro delas esperando para ver o que acontece. Não é momento de avançar", diz o magistrado, fazendo um paralelo com a fase da 1ª Guerra Mundial que ficou conhecida como "guerra das trincheiras".