Terremoto na Venezuela é o mais forte do país em mais de um século e expõem ainda mais as feridas de um país devastado
Dois terremotos devastadores consecutivos na costa norte da Venezuela provocaram pelo menos 188 mortes, quase mil feridos e deixaram milhares de desaparecidos. Os tremores sucessivos ocorreram na noite de 24 de junho de 2026 com uma diferença de apenas 39 a 40 segundos entre eles, um fenômeno geológico raro conhecido como "sismo gêmeo" ou doublet sísmico. Este é considerado o abalo mais forte registrado no país em mais de um século.
A Venezuela enfrenta uma grave crise humanitária após ser atingida por um duplo terremoto de magnitudes 7,5 e 7,2 na noite de quarta-feira, 24 de junho de 2026. O desastre provocou o desabamento de dezenas de edifícios, inclusive na capital Caracas, e levou o governo a decretar estado de emergência nacional. O primeiro sismo registrou 7,2 de magnitude e, apenas 40 segundos depois, ocorreu o tremor principal de magnitude 7,5. Mais de 20 réplicas foram sentidas na sequência. De acordo com o balanço oficial mais recente divulgado pela presidente interina Delcy Rodríguez, há pelo menos 32 mortes confirmadas e mais de 700 feridos. Contudo, iniciativas civis de monitoramento já contabilizam mais de 8 mil pessoas desaparecidas, e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta vermelho estipulando que o total de vítimas fatais pode subir significativamente devido à vulnerabilidade estrutural das construções locais. Os abalos ocorreram a cerca de 13 quilômetros de profundidade. Essa proximidade com a superfície potencializou os danos em áreas urbanas EPICENTRO Foi localizado na região central, próximo ao município de Montalbán, no estado de Carabobo. Os tremores foram tão intensos que puderam ser sentidos em várias cidades da Região Norte do Brasil, como Manaus (AM), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Belém (PA), onde alguns prédios chegaram a ser evacuados por precaução. A Rede Sismográfica Brasileira acalmou a população afirmando que, devido à distância do epicentro, não há qualquer risco de danos estruturais em cidades brasileiras.
"Foi terrível. Tudo, tudo desabou", lamenta Yilsmaris Blanco enquanto observa, atônita, o desastre em que se transformou Catia la Mar, uma das cidades mais afetadas pelo duplo terremoto que arrasou dezenas de edifícios no estado venezuelano de La Guaira. O governo interino de Delcy Rodríguez declarou "zona de desastre" na região.
No meio da noite, dezenas de socorristas trabalhavam como podiam entre os escombros, enquanto as autoridades observavam de perto cidadãos que tentavam por conta própria encontrar seus parentes, gritando seus nomes.
Jornalistas da AFP presenciaram familiares recuperando os corpos de um homem e de uma mulher e colocando-os na parte de trás de uma caminhonete.
Também viram uma conhecida farmácia de Catia La Mar com as portas de vidro destruídas e as prateleiras vazias, sem que as autoridades pudessem confirmar se houve saques após a emergência.
"O que está faltando é ajuda, principalmente com os equipamentos técnicos, os equipamentos que estão em Caracas, que sabem quais (ferramentas) usar, que podem vir ajudar aqui em La Guaira, que venham", pediu ofegante José Pacheco, chefe de operações do Grupo Rescate Unido de Venezuela.
"Você pode ver como estão as estruturas, como esta aqui, totalmente colapsada, e o que está faltando é ajuda", acrescenta o socorrista de 52 anos, ao contar cerca de 14 estruturas afetadas ao seu redor.
Pacheco, com três décadas de experiência, afirma que "nunca" viu "algo parecido".
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